Dead Prez, desligue o rádio!

2007-07-17

Dead Prez people

What’s on the radio, propaganda, mind control/ And turnin it on is like puttin on a blindfold

O que há no rádio, propaganda, controle mental/ E ligá-lo é como colocar uma venda nos olhos.

Vindos das ruas de várias cidades dos Estados Unidos, Dead Prez mostra o ódio no coração do povo pobre, e estravaza todo esse ódio em letras ácidas e dolorosas, pra mostrar logo a que vieram. Com letras politicamente engajadas que fariam inveja no Rage Against The Machine, eles metralham tudo e todos, do governo Bush à mídia norte-americana.

And yeah I know it’s part of they plans/ To make us think it’s all about party and dancin/ And yo it might sound good when you spittin your rap/ But in reality, don’t nobody live like that

Eu tô ligado que é uma parte do plano deles/ Pra nos fazer achar que é apenas dança e festa/ E pode parecer fera quando você está cuspindo seu rap/ Mas na real, ninguém vive daquele jeito.

Com um álbum quase que exclusivo pra criticar o jabá, eles mandam você desligar o rádio (literalmente), fuzilando as emissoras com versos verdadeiros e cheios de chumbo calibre .50. Cospem rimas temperadas com um sarcasmo raro no rap gringo – aliás, rap gringo bom tem sido raro de uns tempos pra cá – alertando seu próprio povo da mentira por trás da programação das rádios.

You wanna know what kinda nigga I am?/ Lemme tell you ’bout the nigga I’m not – I don’t fuck with the cops/ Platinum don’t mean that it gotta be hot/ I ain’t gotta love it, even if they play it a lot./ You can hear it when you walk the streets/ How many people they reach, how they use music to teach/ A “radio program” ain’t a figure of speech/ Don’t sleep, cuz you could be a radio freak (freak-freak y’all)

Quer saber que tipo de negão eu sou?/ Deixa eu te dar uma idéia do tipo de negão que eu não sou – Eu não me meto com policiais/ Platina não significa que vai ser bom/ E eu não tenho que gostar disso, mesmo se eles tocarem um monte de vezes./ Você pode ouvir quando tá de rolê pelas ruas/ Quantas pessoas eles alcançam, como eles usam a música pra ensinar?/ Uma “programação de rádio” não é figura de linguagem/ Fica ligado, você pode ser um rádio-maníaco (maníacos vocês todos)

Nos versos deles você não vai encontrar Mercedes, cordões de ouro, dentaduras cravejadas de diamantes, tênis que custam mais caro que minha renda em um ano. Ao contrário, você vai achar queima de arquivos feitas por policiais, trabalho de uma vida em alguma grande fábrica sem nenhum crescimento hierárquico, tráfico de drogas, racismo, impossibilidade de ter o que a mídia vende.

I refuse to be a stereotype in ya box/ Never wanna try to be somethin I’m not/ I’m just a nigga from the block

Eu me recuso a ser um estereótipo numa caixa/ Nunca quero tentar ser algo que não sou/ Sou só um negão da periferia

O instrumental é muito bem produzido, com bases originais e refrões melódicos à maneira clássica. A levada foge do rap de playboy que infestou o mercado norte-americano nos últimos anos, ao contrário de todos os outros artistas do rap norte-americano, eles não são produzidos pelo Timbaland, então a diferença instrumental pode ser sentida em cada uma das músicas. Aconselho que você ouça a música W4 pra sentir o clima.

Just when you thought it was safe/ Police kill a little boy last night/ They said it was a mistake/ But that won’t bring back his life/ His momma couldn’t believe/ That it could happen to her/ She prayed to god everyday/ Guess it just wasn’t enough.

Logo quando você achava que era seguro/ A polícia matou um garotinho noite passada/ Eles falaram que foi um erro/ Mas isso não traz de volta a vida dele/ A mãe não pôde adreditar/ Que isso pôde acontecer com ela/ Ela orava à Deus todos os dias/ Acho que não foi o suficiente.

Hell Yeah (Pimp the System)

obs: As traduções do inglês são livres, adaptadas, amadoras e podem conter pequenos erros.


Retrigger @ Jamendo @ Expandindo o Conhecimento Musical

2007-07-17

Jamendo

Em um Blog anti-jaba e pró-musica livre, eu não poderia deixar de colocar em alta um dos melhores lugares pra ouvir e encontrar qualquer estilo musical sobre a licença Creative Commons, Jamendo.

Lá vc vai encontrar coisas muito ruins (acredite tem uma banda/grupo de rap da escocia que é uma tragedia, só não vou botar o link aqui pra eles não ficarem com raiva =D), mas se vc gosta de descobrir coisas boas arriscando perder algum tempo baixando coisas ruins, é um prato cheio de sabores novos.

Assim como a rede lastfm (de quem a gente é fã e recomenda pra todo mundo), todos os albuns tem uma otima estrutura, com muitas informações dos artistas, um espaço pra donativos, e os albuns completos para download, alem de um tocador no site (não é nenhum pouco dificil de usar está quase totalmente em PT-BR.)

No Jamendo vc vai encontrar as mais malucas tags do mundo (literalmente do metal jamaicano até rap autraliano), o que por vezes vai te deixar confuso, porque são muitos nomes pra estilos parecidos, mas no fim das contas tudo vai se resumir a acompanhar os albums que os artistas que vc gostou está lançando, as apresentações dele pelos proximos meses, e a utilizar o explorador de albums 2 pontozero.

No Jamendo eu encontrei muita coisa boa, Retrigger é uma delas, o cara toca um BreakCore com Rock e Roll; como dizem, uma banda de surf music sendo acelerada proxima a velocidade da luz. Um som muito bom, maluco e bem produzido, o melhor de tudo, é prata da casa, daqui de pertinho, Belo Horizonte – Minas Gerais.


Squarepusher

2007-07-13

Antes de mais nada, veja isso:

Tom Jenkinson é o nome do cara que faz esse som, o Squarepusher. Chamada de IDM(discordo desse título), é música eletrônica com muito baixo e bateria, puxando um pouco pro jazz, e indo do extremamente rápido ao devagar quase parando. Batidas complexas, ritmo com instrumentos que você nem faz idéia do que seja e a total falta de estruturas clássicas na música fazem com que cada minuto seja uma viagem. Como o Marco Gomes diz, é um ataque cardíaco na certa.

Squarepusher toca desde o começo dos anos 90(Squarepusher, porque Tom Jenkinson toca baixo desde criança) e ficou conhecido depois dos eps lançados pela Rephlex. Seu 1º álbum, Feed Me Weird Things, saiu só em 1996. De lá pra cá, Tom foi mudando a sua música, do que ele chama de “digital e bruto” para algo mais elaborado, onde ele pôde mostrar sua competência como baixista e compositor.

pra quem quiser saber mais sobre o Squarepusher:


BNegão, E os Seletores de Frequência…

2007-07-12

BNegão e os Seletores de Frequência

“A cópia parcial ou total desse disco é permitida e recomendada desde que não seja para fins comerciais.” Leia-se: vc pode tocar nas festinhas dos amigos, nas festonas dos amigos, baixar o album, gravar e NÃO vender! =D

A palavra me fustiga, a palavra me futuca
A palavra quer invadir a minha cuca
A consciência se expande
A consciência se contrai
A consciência, da cabeça entra e sai
A palavra, a consciência, a cabeça, a nossa existência

Quem conhece de underground (Será que ainda existe underground ?), conhece esse cara, e tá sempre na expectativa de uma apresentação dele nas redondezas (não perca, em Brasilia no dia 21/07). Acompanhe aqui.

O BNegão dispensa apresentações, ex-integrante-participação do “finado” Planet Hemp, hoje em dia tá colado com os Seletores de Frequencia, (esses sim merecem uma apresentação “a parte”). Seletores de Frequencia, um sexteto formado por Gabriel Muzak na guitarra, o baterista Pedro Garcia, Kalunga no baixo, o DJ Rodrigues, Paulão nos vocais e o trumpetista Pedrão. Esses seis caras conseguem ir muito além de ótimos músicos, são quase “Alquimistas musicais”, eles são capazes de fundir em coisa só: o dub, o rap, o funk e o hardcore com a bossa e o samba e se o trabalho em equipe é uma otima caracteristica, a equipe de produtores é no minimo uma paulada no Crânio com toda a inventividade do trio: Rica Amabis, Daniel Ganjaman e Tejo Damasceno do coletivo Instituto.

Tu tá sozinho na tua, plena força é soltura
Definição: Essa é sua decisão
Pros outros cê tá à toa, mas sua cabeça não para,
maquinando qual será a próxima parada
Na mente, a necessidade de ser coerente
Nas veias, o sangue determinado a não sair da corrente

Os Seletores é uma banda tão boa, que é dificil de citar alguma coisa parecida (Turbo Trio? Talvez, mas eles tambem gravaram com o BNegão!) Como disseram uma vez em algum canto da blogesfera:

E que conste que esses tais Seletores De Freqüência são uns putos talentosos como poucos por aí. Tão poucos que eu nem saberia apontar uma banda que se equiparasse, assim, de cabeça.Leia mais aqui

Esse album é um marco na historia nacional anti-modinha, do meu ponto de vista esses caras tem investido de forma real no combate a pirataria, disponibilizando todas as musicas no site pra download, vendendo o disco barato (comprei o meu por 10 conto no show deles), fazem propaganda anti-jabá e botam pra moer com criticas inteligentes com a midia Mercadologica mundial.

No último capítulo, vimos nosso herói encontrar-se em
maus lençóis
No momento crucial em que teve sua piada mensal
fatiada, ao realizar a manobra arriscada de manter ao
mesmo tempo: comida no prato, iluminação, água pro
banho, bom nível de informação e temperamento intacto

A seu favor, ele conta com sua quase total imunidade
espiritual, corpo e humor à-prova-de-contas, além de
uma dose generosa de honestidade fazendo o diferencial

Do ponto de vista sonoro, é um grande trabalho, merece todos os louros que conseguiu até hoje, um disco único e raro, que vc não vai encontrar mais a venda no site das americanas (tá em falta no estoque deles, mas no site do BNegão tem pra baixar e pra comprar).


Senhoras e Senhores, eis o ôme, Noriel Vilela.

2007-07-08

Noriel Vilela 1968

Antes de qualquer coisa: Vc tem conceitos pré-formados? Sobre umbanda? Sobre negros? Caso a resposta seja sim, sinto lhe dizer, esse blog não é pra vc, nem perca tempo assinando o feed, porque aqui traremos as mais variadas referencias do som afro-negro-black nacional, temos aqui (mesmo que seja no formato foto_em_um_album).Hoje, uma das maiores referencias do SAMBALANÇO Nacional, ele mesmo senhores, O ÔME, o Srº Noriel Vilela.

Sente este samba quente
Que é muito legal
É super pra frente
É bem genial

Ah o Samba! As vezes me pergunto: o que teriamos na MPB se não fossem os negros e o samba? A resposta mais encontrada por todos os fãs da cultura Racional-Nacional é: -Poderia ser a mesma coisa, mas provavelmente não seria tão divertido e diversificado!

Passado alegre presente triste
futuro incerto o que será
essa tristeza que da na gente
e não há meios dela passar
Tanta coisa que faz chorar
compreensão que é bom não há

Ah, os negros e nossas Raizes Bambattas, é numa hora como essa que todos os negros de pele, de alma, ou de coração, tipo eu (não sou tão negão assim, mas sou “preto até na alma”) se sentem homenageados e reconhecidos, quando um maluco não muito diferente de todos os que sofreram em quilombos até hoje, se apresenta e diz: Prazer, Meu nome é Noriel Vilela.

Com certeza uma das maiores referencias na vida de Jorge Ben e do nosso querido Tim Maia, Noriel traz uma luz negra e Lotada de girias dos terrreiros da época. Noriel trouxe para mim, no minimo, um brilho sobre a realidade nacional em 1968, pros fãs mais saudosiztas trouxe realmente um novo estilo cheio de novidades o SAMBALANÇO (acredite, em 2007 ainda é atual!).

Sei que vou sentir saudades
Da mulata laureana
Aquela cabrocha faceira
Filha da rosa baiana
Mas o samba aqui é bom
Vou sambar uma semana!

Ah mô fio do jeito que sucê tá, só o O ôme é que pode ajudar .Pra vc pescar um pouco da atmosfera do disco, que trata, como na maioria dos Sambas, sobre o racismo, e a realidade quilimbola vivida pelos manos negros desde quando Brasil é Brazil. Não adianta fazer feitiço, pq meu cabloco não deixa pegar, um dos tesouros nacionais (pode olhar no cofre da casa da moeda, tem um disco dele lacrado lá, certeza minha…). Noriel Vilela vale todos os cifrões que vc gastar nele, cada zilezimo de centavo!

Que saudade dos terreiros
Onde eu ia assistir pai timbó trabalhar
Trabalhar!
Era lindo ouvir negros cantando
Cantigas de umbanda e ver pai timbó, saravá!
Saravá!

Eu tenho aqui! Vc vai perder a Chance?


Shaw, "é porque eu faço com amor"

2007-07-06

Shaw - Ruas Vazias

Alguns dizem que sou bom, mas só faltava ser preto/ Alguns dizem que sou bom mas falta ter sido preso

Se existe um rimador brasileiro que ama o rap, esse cara é o Shaw. Também conhecido com Shawlin, no antigo grupo Quinto Andar ele não demonstrava ser o ser humano introspectivo que surgiu no seu álbum solo Ruas Vazias.

Eu agradeço a Deus quando tudo tá bem/ Quando tudo tá mal eu agradeço ele também/ Mas quando eu tô no breu quem é que vem me ajudar?/ Eu agradeço os meus à Tomba e o Quinto Andar

Talvez a maturidade seja o motivo de tanta mudança. O rap brincalhão e descompromissado do Quinto Andar deu lugar a um rimador responsável, completo, muito bem produzido e com rimas simples, ricas e diretas. A parceria com o rimador português Sam The Kid mostra que ele não está preso em terras brasileiras e sabe o que há de bom em outros lugares.

Uma coisa eu aprendi/ Que esses carros não vão voar, vão ficar engarrafado aqui/ Porque a cidade tem ódio, mas sempre é bom te dizer/ Você não odeia a cidade, ela que odeia você

A simplicidade é algo que tenho prezado cada vez mais, é possível ser liricamente rico sem escrever versos criptografados como fazia o Loser Manos. Eu fico imaginando se os Losers realmente planejavam tanta complexidade pra criar as letras ou se simplesmente amontoavam palavras, procurando significados ocultos depois da letra pronta. As letras de Shaw são diretas, com versos fáceis de entender, palavras curtas e comuns.

A minha vida não é bela, e eu nem sou da favela/ os amigos que eu tenho lá nem querem que eu vá viver nela

A produção desse álbum merece uma homenagem à parte, as bases são muito bem montadas e com um clima que toca a alma. Uma mistura de batidão clássico pum-pá, jazz, teclados, guitarras e sopros.

[...] no meu estúdio eu sou arquiteto e assistende de pedreiro/ mas nego se eu pego a manha tu me chama de engenheiro/ não porque eu quero, porque eu sou esperto e não tenho dinheiro [...]


Direto do Laborátorio (2003)

2007-07-06

Capa do Album Direto do Laboratorio 2003

Hoje temos no leioEosso uma coletanêa do mais puro HipHop Nova Escola, Chegando Direto do Laborátorio.

Rap tem que ter Rima, tem que ter boa rima e rima do “Bem”, tem que ter base tambem, tem que ter trabalho social por traz, tem que te manter atento, e esse album com certeza junta tudo isso, note que o album é do ano de 2003, 4 anos atrás e totalmente atualizado.

Conta com Rimadores (Rappers? Aqui tentamos usar o maximo de português possível, te manter atento é a nossa misssão =D ) de nome e peso, nesse laboratorio vc encontra com Ascendência Mista, Rua de Baixo, Quinto Andar, Mzuri Sana, SP Funk, Conseqüência, Max B., Elo da Corrente, Projeto Manada, Potencial 3, Mamelo Sound System, Ciência Rimática e Paulo Napoli, alguns dos maiores representantantes da Nova Escola (apesar já terem muitos anos de Rua).

Cuidado quando for ouvir esse disco, não esteja fazendo nada de risco, ele vai manter sua atenção literalmente algemada ao som, com rimas pra lá de inteligentes do tipo O rei do tabuleiro se apresenta em cada movimento, que eu faço é um teste de inteligencia pra vc(…)eu não me impolgo se chega a minha vez, adversario desfalcado e eu com 16 analizando a vida Em Saber Jogar do ponto de vista de um tabuleiro de xadres, do lado de lá do mic o grupo Consequência, com certeza o grupo Elo da Corrente Vai te Levar com Alguns Pensamentos Pra vagar num mundo feito de sonhos, mas pra vc não perder o senso da realidade o grupo Mamelo Sound System com a MC Loudes da Luz vai te lembrar que as ruas não são nenhum playground: Crash! Bum! Bang! Tanta coisa negativa tá rolando no ar, no som com o mesmo nome.

Esse é um dos albums que com certeza vc gostaria de ter na sua estante junto dos seus livros, mas não se preocupe, como afirma o pessoal do Projeto Manada: Não me preocupo em ser um fracasso mercadológico, vá ver os caras ao vivo! (se possivel pegue na mão deles e diga que o som é du-bom, e recomende o leioEosso =D ).